Susana Murteira

Rita Leitão

Joana Travessas

Família Bentes

Postado 2016/03/08

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Vimos pela primeira vez a nossa afilhada Luz, com 4 meses e muito frágil, numa pequena foto. Desde o primeiro minuto, desde a primeira foto, desde as primeiras notícias sobre aquela bebé, que o desejo de a abraçar, de a proteger e de a conhecer foi um impulso muito forte em nós.

 

 

Em 2013, conseguimos finalmente reunir as condições necessárias para viajar até Moçambique e finalmente conhecer a nossa afilhada Luz (Lúcia Sonaida no registo civil e Lua como é chamada na família). É assim em Moçambique, uma criança pode ter três nomes diferentes.

Tudo começou em 2005 quando ouvimos na Rádio uma campanha na qual se anunciava um projecto de Apadrinhamento de Crianças em Moçambique, cujo slogan era: “por 80 euros anuais alimente e eduque um criança em Inharrime tornando-se padrinho.”

Independentemente das dezenas de campanhas para ajuda humanitária que diariamente proliferam nos órgãos de comunicação social, aquela frase teve um impacto diferente em nós. De facto, se com 80 euros um casal na europa podia alimentar e educar uma criança em África, se conseguíssemos conhecer melhor o projecto e encontrar pessoas em quem se pudesse confiar, ajudar era uma obrigação. O que valem 80 euros? Um elegante par de botas de senhora? A vida de uma criança? Compreendem?!

Foi assim que nos tornamos padrinhos e foi assim que conhecemos Lucília Teixeira, missionária em Moçambique há mais de 40 anos e nascida na pequena aldeia do Vale de Coelha, no distrito da Guarda.

Foi ela que pela primeira vez nos falou de uma família que vivia nos arredores do Centro Laura Vicuña, em Inharrime, e que após ter perdido algumas crianças tinha agora uma bebé muito frágil, subnutrida, ainda sem nome e que gostavam que muito que fosse apadrinhada. Recebemos então uma foto acompanhada por uma carta do Pai da menina (Sr. Augusto) agradecendo muito o apadrinhamento e pedindo que escolhessemos um nome para a sua filha.

Escolhemos então, entre todos na nossa família, o nome Luz. Soubemos tempos mais tarde que no registo só aceitaram o nome Lúcia. Ficou então Lúcia Sonaida.

O envio de fotos e notícias ao longo destes 10 anos, de cartas de agradecimentos dos pais, do envio de roupas e alguns presentes e postais dos nossos filhos para Moçambique, uniram-nos sempre à nossa afilhada, que faz parte da nossa família, temos fotografias dela na nossa casa, nalgumas com a mochila que era da Martinha… uma dos nossos 6 filhos.

Os anos foram passando, a Luz foi crescendo e o nosso desejo de a conhecer também, até que em Março de 2013 viajamos para Maputo. Entre mil e uma tarefas, a Irmã Lucília lá viajou 400km para nos receber no aeroporto com muitos abraços apertados e as emoções à flor da pele. 

Chegados ao Centro Laura Vicuña, sentimos uma felicidade enorme! Que obra maravilhosa a da Irmã lucília! A paz do lugar, a alegria constante das crianças, as birras, os risos, os cânticos, os jogos na terra (“a cheia”, “o 31”), as bonecas de capim, a organização dos edifícios, a escola, a padaria, a machamba. A impressionante educação das crianças, os almoços e jantares na cantina, onde os mais novos têm sempre prioridade, a lavagem da loiça na cozinha, o salão, os jardins. É de cair para lado! Que coisa maravilhosa!

Recebemos então no dia seguinte à nossa chegada, a visita da nossa afilhada juntamente com a mãe e o irmão mais novo no Centro e a emoção tão grande! Sentimos naquele momento que também nós fazíamos verdadeiramente parte das suas vidas e que eramos uma família! Foi a primeira vez que a podemos abraçar! Tão linda!! Conversámos e ficámos com muita vontade de estarmos mais tempo juntos, combinámos então uma visita à sua casa nos dias seguintes.

 

 

A forma absolutamente maravilhosa como fomos recebidos pela família da Luz ficará para sempre nos nossos corações! O ritual tão belo de estarmos sentados debaixo de uma árvore, de uma das crianças ir buscar água e uma toalha para lavarmos as mãos, o pai apanhar coco e estarmos ali sentados à sombra a comê-lo!...Foi maravilhoso abraçá-la, tê-la ao colo, sentir a felicidade estampada no seu rosto, conhecer os pais, os irmãos, toda a família, a sua casa, a sua machamba e a forma como vivem!

Foi a Irmã Lucília que nos deu o privilégio e a benção de sermos padrinhos. Benção, porque mesmo sem saber pôr em palavras o que é ser padrinho ou o que foram aqueles dias de encontro, é fácil dizer-vos que o amor transborda por todos os lados em Inharrime.

Ver e sentir aquelas crianças vítimas de atrocidades, de perdas dos pais e dos irmãos a serem ajudadas pela perseverança e obra da Irmã é um ensinamento, que todos os dias tentamos trazer presente no modo como agimos e como valorizávamos a vida.

 

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