Carta da Irmã Lucília - Agosto 2007

Postado 2007/08/01

Queridos Amigos, Padrinhos e visitantes. É com grande alegria que escrevemos hoje.

   Nesta nossa digressão pelo que já foi e o que se está a tornar o Centro Lura Vicuña, tinhamos reservado esta próxima paragem ao apadrinhamento e ontem recebemos uma mensagem da Ir. Lucília que vamos, mais adiante reproduzi-la, mesmo a propósito do projecto.
 
                                                                                                                
O apadrinhamento começou na mesma alura em que começa o Centro pois foi uma forma encontrada para se poder receber os meios financeiros para apoiar tantas carências das famílias de Inharrime. Aquando da visita da Ir. Lucília a Portugal em 2004 e novamente em 2005, este projecto tomou forma. Primeiro no Porto e logo a seguir em Lisboa. Quando o nosso grupo se formou, tomou a seu cargo a continuação do projecto de apadrinhamento como forma de centralizarmos a informação e coordenar a troca de informação entre os padrinhos, as crianças e a directora do Centro.
 
 
 
                                                                                                                                  
 
Eis algumas das palavras que a Ir. Lucília nos dirige a todos os padrinhos:
 
"...Não sei se conseguirão imaginar até onde chega o vosso contributo! Quão grande é a vossa ajuda que, embora longe, dão a este nosso povo!!! Muito obrigada.
  
As crianças que beneficiam deste auxílio ultrapassam as 320! Já são muitas...
 
Aos chegarmos aos 300 pensei em fechar o número, mas cada dia aparecem casos extremos e diante da necessidade não conseguimos dizer não...
 
Conto-vos apenas o caso do Sofrido Samuel: nasceu em Fevereiro. A mãe faleceu. Apareceu a avó, que tinha percorrido, a pé, mais de 20 Km. A criança chorava e a avó, com mais de 70 anos, metia-lhe na boca o seu seio mirrado. Claro que a criança continuava a gritar... Quando fui buscar um pouco de leite e a criança começou a beber, quase asfixiava, tal era a fome!
  
Diante de tantos casos como este, como parar de aceitar crianças e de pedir aos Padrinhos para nos ajudarem a salvá-las?"
 
 Agora vem a pergunta: Como é que o apadrinhamento ajuda? o que é? Como se tornar padrinho ou madrinha?
  
A primeira coisa a fazer é abrir o vosso coração e abraçar esta missão, esta vontade de ajudar uma criança a crescer num ambiente saudável, alegre e com muito amor. Este gesto permite garantir um futuro, pelo menos até aos 16 anos, tempo em que a própria criança já possa começar a trabalhar ou continuar os seus estudos. De seguida, escreva-nos uma carta com o seu pedido, onde menciona os seus dados como nome, morada, contacto telefónico e mail se tiver assim como nº de telemóvel. Faz um depósito de 100 euros no BPI na conta de NIB 001 00000 2591 993 000 146 Conta pertencente ao Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora (as Irmãs Salesianas) de Moçambique e envia o comprovativo para a nossa caixa de correioamigosinharrime@gmail.com Assim que recebermos será contactado pela Susana Silva, a pessoa responsável pelos apadrinhamentos que lhe enviará a foto da criança os seus dados biográficos. Do lado de lá será enviado uma mensagem da própria Ir. Lucília a agradecer. Receberá durante o ano notícias sobre o desenvolvimento do seu afilhado/a e quando tiver portador, uma cartinha ou até foto actualizada.
  
Através do dinheiro que vai chegando com o Projecto de Apadrinhamento, é possível ajudar as famílias em várias frentes. Eis as próprias palavras da Irmã a explicar:
 
"Felizmente temos tido jovens voluntários que nos ajudam nesta empresa. A Raquel vinda de Portugal iniciou a base de dados, de maneira a facilitar o trabalho; o Óscar vindo de Espanha, aperfeicuou-a colocando, além da ficha dos afilhados e dos padrinhos, também a ficha das famílias que neste momento são 120. Isto facilita a distribuição dos bens, uma vez que já as temos catalogadas por bairros; em cada bairro há uma senhora responsável por avisar e convocar para a distribuição.
 
Falei com os comerciante das lojas para aceitarem os vales que as famílias recebem pelo responsável de cada bairro e que posteriormente entregam na loja para que lhes seja fornecido o próprio bem. Quando as famílias tiverem levantado os bens, recebemos de volta os vales e pagamos a respectiva quantia ao comerciante. Desta maneira o açúcar, o sabão, o leite, o arroz são drectamente levantados na loja."
 
Para além desta ajuda em bens alimentares, também se distribui a roupa que tem seguido nos contentores que enviamos, os livros e todos os artigos escolares que precisam. contudo o empreendimento e dedicação das irmãs não fica por aqui. Aquelas famílias com mais 4 crianças apadrinhadas começam a ver as suas casas renovadas. Pois é! As famílias vivem em palhotas de palha já a cair e que deixam entrar a água e todos os animaisinhos rastejantes que querem partilhar do conforto da família, deixando para trás alguns males e doenças. É urgente construir uma casa com quarto para as meninas e outro para os meninos e outro ainda para os pais, para além de uma pequena cozinha e uma casa de banho. Estas casas são construídas com o dinheiro que os padrinhos enviam.
 
Vamos já adiantando a notícia que a nossa actual tarefa é recolher restos de colecção de azulejos e tijoleira, sanitas e lavatórios, toneiras e junções necessárias para estas construções, a serem enviadas no contentor de este ano. Mas, sobre isso falaremos em breve.
 
Este é o nosso Projecto de Apadrinhamento. Entre também nesta viagem excitante, uma viagem na vida de alguma destas crianças. Eu sei que não podemos mudar o mundo nem sequer pensar que vamos salvar o mundo mas podemos salvar a vida de uma criança e isso está ao alcançe de qualquer um de nós. Venha daí, embarque connosco.
 
A todos o nosso,
KANIMAMBO